Mertens e o Nápoles dos pequeninos

Esta semana calhou, entre nós, em conversa, falar dos anos dourados do pequeno Mertens. Coincidiram com Sarri - sim, esse velho italiano, f...

Esta semana calhou, entre nós, em conversa, falar dos anos dourados do pequeno Mertens. Coincidiram com Sarri - sim, esse velho italiano, fumador compulsivo e que está em maus lençóis naquele Chelsea de um garoto que recusa acatar ordens do treinador! - O mundo da bola é tão volátil...

"O Sarri meteu o Mertens a brilhar", "marcava golos a pontapés! Uma máquina", "até o Callejón, naquela equipa, brilhava", tudo expressões que, agora, um, dois ou três anos volvidos, soam diferente. Os napolitanos mantém-se e por lá anda a maioria dos seus jogadores, mas a maneira mais distante como se fala do Mertens também revela algo. Sem desprimor, a saudade é latente.


Olhando para Dries, é um daqueles que, assim que a bola lhe chega, não engana: tem toque, tem "ginga", tem drible curto e visão alargada. Mete-a onde quer, esteja ela parada ou em andamento. É um daqueles inquietos que silencia qualquer estádio, sossega qualquer treinador e leva à loucura todo o adepto. É um jogador à Nápoles: pequeno, irreverente e talentoso. 

O belga, com os seus 169 centímetros, marcou que nem gente grande. Nas épocas de Sarri foi vedeta, cabeça de cartaz e "abre latas", como diria Abel Ferreira. Inesperadamente, um homem golo - um encaixe perfeito daquilo que o jogador dá e o que a equipa precisa. 

Se passarmos em revista os seus tentos, percebemos o segredo de tamanho feito: o discernimento, a astúcia, a inteligência com e sem bola. O procurar o espaço, criar o seu espaço, o encontrar o vazio, o farejar a oportunidade de quem joga com uma bola redonda. Depois, claro está, a capacidade técnica, a frieza e o explorar o limite. Encerrava, de forma simples e descomplicada, cada lance irrepetível de bom futebol. A bola, essa, lá conversava com os napolitanos, de pé em pé, sem tirar o couro da relva. Uma delícia.

O Nápoles do meu imaginário é de jogadores assim, especiais e diferenciados. Aqueles que têm tanto talento que um só pé basta para emaranhar mentes e viver do caos. Na verdade, não são muitos os que por lá passam capazes de deixar saudades, mas quando existem, não enganam e não se esquecem.

O pequeno Dries apareceu tarde para as bocas do mundo, revelou-se quando já era homem. Talvez tenha sido essa a maior virtude. Já tinha o conhecimento, a sabedoria e a "ratice". Já sabia ler o jogo, os lances e os adversários. Sabia na exactidão o que a equipa lhe dava e o que precisava. 

A caminho dos 32 anos, o tal improvisado avançado de Sarri já guarda uma bonita história para contar. Foi um dos rostos daquele fumador compulsivo, e, porque não, deste novo Nápoles.


Qual Nápoles, perguntam vocês.


O Nápoles dos pequeninos!





(Aquela saudosa conversa fez-me ir ao baú. Maravilha! Recordar é viver)


Tiago



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