Domingos Paciência
UCL
Não dá não dá, Paciência...
18:19:00
Outra vez, Domingos? Começa a faltar qualquer coisa, talvez... já lá vamos.
Paciência é o que os clubes começam a não ter. Os treinadores vivem de resultados, de golos, de pontos e vitórias. Os clubes vivem de vitórias, títulos e dinheiro. Domingos não é de títulos mas foi de grandes promessas. Embutido no espírito Portista ganho enquanto jogador, a sua carreira ao alto nível iniciou-se em 2006/2007 (antes disso foi treinador do Porto B), no União de Leiria, com um belíssimo 7º lugar na então Bwin Liga, a 1 ponto do 6º classificado Paços de Ferreira.
Em 2007/2008 e numa época conturbada para os estudantes, assumiu o comando técnico da Briosa após a saída de Manuel Machado e levou os estudantes ao 12º lugar, sem grandes surpresas mas com desafogo. O seu ex clube (U. Leiria) acabaria último e desceria de divisão. E foi em 2008/009, com uma época planeada e assumida desde o início por si que Domingos fez uma grande carreira academista no campeonato: o 7º lugar na tabela classificativa. Tinha então 40 anos, 3 épocas como treinador no primeiro escalão português e dois 7º lugares, com Leiria e Académica. Uma carreira tão promissora quanto estimulante.
Em 2009/2010, o início do sonho e do estrelato. O Braga, sedento por crescimento, contrata-o para colmatar a vaga deixada por Jesus e dá-se a surpreendente luta pelo título até bem perto do fim. Ombreou com o Benfica de Jorge Jesus, de Aimar, Ramires, David Luiz, Saviola, Di Maria e Cardozo. O Braga faz 71 pontos, deixa o Porto para trás e o Sporting de binóculos no rosto (23 pontos de avanço face aos leões). Um brilharete ao qual todos se renderam.

A ambição de um grande e um rumo totalmente perdido:
Em 2011/2012, fruto da instabilidade do clube de Alvalade e das inúmeras promessas eleitorais, Domingos foi peça chave na campanha de Godinhos Lopes. Uma vez eleito o engenheiro, Domingos assumiu o cargo de treinador dos leões com todas as promessas e mais algumas. O tempo parecia de mudança. E tudo mudou. A meio da época e depois de um largo período de tempo longe de vitórias, foi afastado do cargo e substituído por Ricardo Sá Pinto, apesar de ter deixado o clube bem colocado para conquistar a Taça de Portugal. Daí para a frente, a carreira de Domingos perdeu-se, virou instável e banal. Domingos desgastou-se, perdeu reconhecimento e crédito.
Na época seguinte ainda assumiu o Deportivo da Coruña, em Dezembro de 2012, numa tentativa vã de evitar a descida. Acabou afastado por maus resultados. Mas estava longe do fim este pesadelo de fracassos. Seguiu-se a Turquia e o Kayserispor, mas ao fim de dois meses foi despedido por não conseguir fugir ao último lugar da Liga Turca.
O Sado banhou-o com uma oportunidade de regresso. A época 2014/2015 trazia um Setúbal motivado pelo timoneiro Paciência. O resultado? Adivinhem... saiu antes do final da época por maus resultados. "Há coisas que nunca mudam" já se ouvia da boca da maioria dos adeptos de futebol.
Este ano tinha sido anunciado como treinador do APOEL, no Chipre. Resultado? Eliminado da pré-eliminatória da Liga dos Campeões pelos inexperientes e desconhecidos ASTANA, do Cazaquistão. Dois dias depois do fatídico jogo, o fim da relação. Mais um fim contratual, mais um clube sem Paciência.
O que se passa Domingos? Não dá, não dá, paciência...
Tiago Carvalho.
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